sexta-feira, 6 de julho de 2007

ELIS - Reverência ao talento

Porque eu gosto, porque admiro, porque me faz falta.
Elis Regina Carvalho Costa nasceu a 17 de março de 1945, em Porto Alegre (RS). Fez sua estréia como cantora aos 7 anos, num programa de rádio chamado Clube do Guri, da Rádio Farroupilha, em Porto Alegre, já em maio de 1961, aos 16 anos, Elis gravou o primeiro LP, Viva a Brotolândia.
Os discos saiam em seqüência e a jovem cantora precisaria de novas fronteiras para brilhar. Em 1963, Elis e seu pai deixaram Porto Alegre com destino ao Rio de Janeiro. Na capital cultural e boêmia do Brasil àquela época, Elis não demorou a estourar.
Em 1965, surpreendeu o país com sua interpretação inesquecível de Arrastão, que lhe rendeu o primeiro Festival de MPB da TV Record.Em 1974 foi "premiada" pelo selo da qual era contratada com a realização de um disco histórico: Elis & Tom, gravado entre 22 de fevereiro e 9 de março de 1974, em quatro sessões no estúdio MGM, em Los Angeles. A obra marcou o encontro da maior cantora brasileira com o maior músico do País.
O vigor de Elis Regina também pôde ser conferido em inúmeras apresentações memoráveis ao vivo, tais como Falso Brilhante (1975) e Transversal do Tempo (1976). O mundo ficou sabendo definitivamente quem era a "Pimentinha" no ano de 1978, quando ela fez uma memorável apresentação no Festival de Jazz de Montreaux, na Suíça. O show, irrepreensível, deu origem a um disco igualmente precioso. Os anos de 1980 foram conturbados para Elis. Depois de nova temporada de sucesso nos palcos, com Saudades do Brasil. Elis achou espaço para um último e marcante show, Trem Azul, em 1981.
Elis era uma verdadeira intérprete. Nem é preciso assistir sua imagem e toda a expressão corporal exibida em seus memoráveis shows. Escutar sua voz cantando é suficiente para sentir toda a intensidade da letra de uma música. Já foi dito que Elis foi o melhor instrumento que alguns compositores contemporâneos tiveram. Vale lembrar interpretações como Canção do Sal, de Milton Nascimento; Madalena, de Ivan Lins; O bêbado e a equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc; Romaria, de Renato Teixeira; Louvação, de Gilberto Gil; Upa Neguinho, de Edu Lobo, Atrás da Porta, de Chico Buarque e Águas de Março, de Tom Jobim, dentre muitas outras.

A "pimentinha", como era chamada, tinha - como João Gilberto - a perfeição como meta. Exigia muito de seus músicos e compositores, exigia de sua gravadora, exigia de sua voz. Foi a primeira pessoa que inscreveu sua voz como instrumento, na Ordem dos Músicos do Brasil. E era. A voz de Elis soava como instrumento afinado, não perdendo, nem por um minuto, o carisma e a emoção em cada canção.

Elis Regina morreu no dia 19 de janeiro de 1982, aos 36 anos, de parada cardíaca, motivada pela ingestão de doses de uísque com cocaína.

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